dezembro 06 2021 0Comment

Revolução na agricultura urbana

Foto: Dan Magatti

Em um galpão de cerca de 600 m², em pleno centro da cidade de São Paulo, está localizada a maior fazenda vertical da América Latina. Startup criada por três engenheiros, Geraldo Maia e os irmãos Mateus e Rafael Delalibera, a Pink Farms dedica-se ao cultivo em ambiente controlado, com uso de tecnologia, pesquisa e dados, para adaptação das variáveis que influenciam o crescimento das plantas.

Um dos sócios, Eng. Eletric. Mateus Delalibera, explica que o projeto começou a ser elaborado em 2016 e, no ano seguinte, conseguiram suporte financeiro de fundos de investimento para tirar a ideia do papel. Com isso, passaram da pesquisa e do desenvolvimento à concretização da fazenda urbana.

Umidade do ar, temperatura, concentração de gás carbônico, período de iluminação e intensidade, e nutrição das plantas são alguns dos fatores cuidadosamente monitorados pela empresa, que passa por um processo de expansão. Com sistemas de hidroponia e aeroponia, técnicas de cultivo sem solo, que utilizam água e ar respectivamente, a Pink Farms caminha para produzir três toneladas de alimentos até o final deste ano.

Com o conhecimento da Engenharia, os fundadores desenvolveram todos os sistemas da fazenda, como iluminação, hidroponia, climatização, controle e automação. A iluminação 100% artificial, fornecida por painéis de LED, em que os engenheiros podem controlar até o comprimento de onda emitida, traz eficiência para produtividade em escala comercial. “Trabalhamos com hidroponia de um jeito mais intensivo e o fato de controlar as outras variáveis nos permite um patamar mais acelerado do que os sistemas convencionais”, observa.

A revolução da Agricultura 4.0 dá a tônica para a experiência da empresa dentro de um grande centro urbano. “O conceito traz diversas vantagens em relação ao cultivo tradicional, como a eficiência do uso de recursos. Com controle da produção, conseguimos economizar até 95% de água em relação ao cultivo tradicional de solo, assim como a produtividade por área do solo também é muito maior do que no campo”, complementa.

Toda a água da transpiração das plantas é captada por meio do sistema de climatização e tratada para ser reutilizada. Além disso, a Pink Farms não utiliza nenhum tipo de agrotóxico e a sala é isolada, com mecanismos de biocontrole, que garantem a questão da sustentabilidade e da saúde.

As cerca de três toneladas produzidas são cultivadas em uma sala com 150 m². Para reduzir as perdas no pós-colheita, que giram em torno de 40%, por armazenamento inadequado e transporte, o processamento é realizado na sala ao lado. Assim, a Pink Farms fornece os produtos embalados, prontos para consumo.

As condições favoráveis para o crescimento das plantas são alcançadas graças ao uso dos dados coletados a partir de intenso monitoramento, o que permite melhorias rápidas nos sistemas.

“Estamos em um momento de planejar a expansão para o próximo ano. Por mais que o espaço tenha produção comercial, ainda é pequeno para o potencial do mercado. Aqui não temos muitas eficiências que teríamos em escala, como redução de custo de energia, de mão de obra e de compra de insumos, e mais processos de automação. No próximo ano começaremos a construção de uma fazenda bem maior para atender a um público mais amplo”, ressalta.

A meta é continuar a ser referência na agricultura, mostrando que é possível cultivar alimentos no coração da maior cidade da América Latina.

 

Produzido pela CDI Comunicação